
(crédito da imagem: http://cassianeschmidt.blogspot.com)
Viver em família não é tarefa nada fácil. De todos os ministérios existentes dentro do Corpo da Igreja, o Ministério da Família é o mais árduo, difícil e essencial para o crescimento saudável e contínuo da Igreja como Corpo de Cristo.
Vejamos por que. Nós, filhos, temos uma visão muito surreal de nossos pais. Nós, direta ou indiretamente, não os vemos como meras pessoas, meros humanos, meros companheiros de viajem nesta vida…
Nós filhos vemos nossos pais como nossos líderes, heróis, como aqueles que nos geraram e nos deram a vida, ainda que não pareça que os filhos nos dias de hoje nutram este sentimento pelos seus pais, como antigamente (sei que muitos pais que porventura lerem esta declaração irão questionar no íntimo se realmente seus filhos os vêem desta maneira).
Porém, mesmo não parecendo, cada gesto, cada palavra, até o silêncio dos pais importam significativamente para os filhos, sim.
É como se a palavra do pai e da mãe tivesse poder de vida e de morte. De bênção e de maldição… E muitos pais não se dão conta disso. A agressão das pessoas de fora não é nada se comparada à palavra inconseqüente de um pai e de uma mãe! Os pais não têm idéia do tamanho do poder que eles têm sobre os filhos… E deveriam ter essa idéia, pois ela é afirmada pela bíblia e o próprio Deus a ratifica em sua Palavra, afirmando que os pais darão conta de tudo o que fizeram e deixaram de fazer pelos filhos. Eles darão conta da responsabilidade que eles têm sobre seus filhos, sobre a herança de Deus para a vida deles.
Algo muito interessante acontece com os pais. Ninguém nasce genitor de alguém. Todos somos primeiro filhos, para depois gerarmos e sermos pais. Mas parece que uma mudança radical de visão, percepção, sentimento, atitude, status, acontece quando uma pessoa se torna pai ou mãe de outro ser humano: esquece-se de como é ser filho. E essa mudança é radical mesmo! Ao ponto de o esquecimento de como é sentir-se como filho dar lugar somente para o sentimento de ser pai/mãe. Isso deveria ser natural e saudável, afinal, para educar alguém é necessário ser pai e mãe de verdade. Mas não é assim que se sucede. Quando os pais se esquecem de como é sentir-se como filho, ao mesmo tempo eles cometem erros graves que se eles fossem filhos deles mesmos eles pensariam duas vezes antes de cometer.
É fundamental para os pais nunca perderem de vista o sentimento (já referido no texto) que os filhos nutrem em relação a eles: os pais são os seus heróis, são aqueles que eles esperam sempre que estejam do lado deles para o que der e vier e que no momento mais tenso saibam utilizar as palavras e os gestos certos com eles.
Que missão difícil para os pais… Sabe por que, filhos? Porque eles não deixaram, em momento algum, de serem humanos… Eles são heróis, mas não são perfeitos. Não espere deles o que só Deus, como Pai, pode fazer. E não se magoe tanto com os erros deles, porque errar é humano. E não se esqueça que eles não deixam de ser dignos por serem humanos e terem suas falhas, pois eles continuam dignos da sua admiração, por serem aqueles que apesar de tudo, os amam de verdade e querem o seu bem. Eles os ensinam, mas também aprendem e crescem com vocês.
A convivência em família, como em todo e qualquer relacionamento, requer sabedoria. Mas não nascemos sábios, a sabedoria se adquire com a vivência, com os erros e acertos.
Então filhos, como lidar com as mágoas causadas pelas palavras, gestos e até o silêncio/ausência dos pais em nossas vidas?
Temos que entender que em um relacionamento familiar o status dos sujeitos desse relacionamento não deixa de existir. Vejamos um exemplo de uma justificativa muito comum dos pais para com os filhos, em uma situação de tensão:
“Eu sou seu pai!” – Justifica-se o genitor.
“E daí?” – Indaga o filho, em seu íntimo…
É comum e humano justificar-se por causa de um título “pai/mãe, autoridade, pastor, governador, prefeito, marido, mulher, filho…” Mas a questão não se encontra no título que a pessoa exerce e sim a atitude/postura/palavra que aquela pessoa está tendo no momento da tensão…
E, pais, atentem para esta realidade:
O que constrói a sua autoridade sobre o seu filho não é a sua posição como pai/mãe, mas sim a postura que você, no momento decisivo, tem em relação a ele!
Seu filho vai aprender muito mais da sua expressão facial e postura do que necessariamente com o fato de você ser pai/mãe dele.
Isto ocorre porque estamos acostumados a agir assim, é cultural. Mas, como seres pensantes que somos, devemos refletir se a nossa postura como autoridade familiar está realmente surtindo os efeitos que Deus designou os pais a terem: Edificação da sua herança, ensinando e mantendo seus filhos no Senhor.
Chega uma hora na vida em família que as palavras tanto dos pais como dos filhos desgastam a relação. Há momentos que a residência, tanto para pais como para filhos, não é mais chamado de “Lar”. E os pais e os filhos muitas vezes sentem-se mais íntimos de estranhos do que deles mesmos, como família.
Aí vai uma triste realidade: muitos filhos não tem se firmado na presença de Deus por causa das palavras e atitudes dos pais para com eles, motivo: Palavras inconsequentes, atitudes que não condizem com o que eles ensinam, ausência dos pais em fases decisivas na vida dos filhos, etc. E muitos pais cristãos sabem evangelizar mais alguém de fora da própria casa do que ensinar o próprio filho (teorica e praticamente) dentro de casa. Estão mais “ocupados” com o “Ministério” do que com o Ministério de Todos os Ministérios, A FAMÍLIA.
“Quem não cuida dos seus, principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que os infiéis” (I Timóteo capítulo 5, versículo 8).
Isto não tira a responsabilidade subjetiva dos filhos sobre o caminho que eles decidiram trilhar, mas a própria Palavra de Deus diz que os líderes (familiares, eclesiásticos, políticos) darão conta de todas as pessoas que, por causa deles em ação ou omissão, se desviarem do caminho…
A vontade íntima de cada um dos membros da família é que isto seja só um sonho ruim e que um dia eles acordem e tudo seja como antes, que tudo seja bom novamente.
Qual a solução?
Viver em família é uma grande responsabilidade para os pais e um grande desafio para os filhos. Ambos possuem sua importância e o que os ligam, mesmo com as intempéries da vida, é o AMOR que eles nutrem entre si. A solução é observar os preceitos de Deus por parte dos pais, no que concerne à autoridade familiar (Tema do próximo artigo), e obedecer aos preceitos de Deus por parte dos filhos (Tema de artigo posterior).
Viver em família é isto: é amar e viver com os conflitos e tensões próprias da convivência humana, a qual é composta de seres diferentes e iguais, semelhantes e únicos.
É aí que somos despertados pela vida e por Deus que o sonho do dia-a-dia se constrói com a Decisão.
É como Deus e a Humanidade: Esta O ofendeu de todas as maneiras com o pecado, porém Ele DECIDIU AMAR a Humanidade.
Viver em família, a qual consiste em um Ministério IRREVOGÁVEL, é DECIDIR AMAR, todos os dias… É ESCOLHER perdoar, esquecer, suportar, edificar, corrigir com equilíbrio e ponderação e obedecer à autoridade.
Jesus nos AMOU dando-nos a outra face. Jesus ESCOLHEU nos amar nos ensinando a amar como Ele amou.
Jesus DECIDIU entregar o seu CORPO e o seu SANGUE naquela CRUZ para a redenção, ou seja, a permanência do Ser Humano como a Coroa da Criação de Deus. E ele disse “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei…” (João 15:12)
Não existe divórcio de pai e de mãe, de pais e filhos. Pode existir a separação, mas ela é árdua, ela faz a pessoa se sentir incompleta, pois no íntimo todos querem viver em paz.
Todo relacionamento duradouro não pauta-se sem sentimentalismo, sensações, orgulho… Pauta-se na decisão.
É certo que é difícil decidir amar quando a mágoa, o rancor, as brigas tornam tudo isso difícil. Porém, quem está cansado e sobrecarregado deve achegar-se ao Senhor, e Ele limpará o seu coração de toda amargura e sujeira e tornará você e sua família capazes de perpetuar o relacionamento de forma que agrade a Ele.
Amém.









